segunda-feira, janeiro 09, 2006

Dizer Deus

Example
"Nós devemos pronunciar a palavra Deus, devemos ensinar aos nossos filhos e aos nossos semelhantes, a benção que está neste nome, conscientes que cada vez que a pronunciamos também nos traímos" Sequeri

A propósito do pecado original, li este texto que me trouxe algumas luzes e que nos deixa alguns desafios. A traição de que fala o autor é uma boa traição. É uma verdadeira necessidade para os nossos dias. Ao dizermos Deus, ao pronunciarmos este nome conscientes do que ele significa verdadeiramente, estamos a negar a a contrariar a suspeita que está dentro de nós desde o princípio dos tempos. A suspeita que atrás do rosto bom e misericordioso de Deus, se esconde outro de severidade e prepotência. A suspeita que o mesmo Deus que nos dispensa favores e concede graças, nos manda também o mais variado tipo de desgraças. Mais do que isso, a suspeita sobre a nossa vida, que insinua que Deus limita a nossa plena realização humana, que, aceitando as correias da fé, nos fechamos à nossa felicidade plena. Em última instância, a suspeita sobre nós próprios, que nos mostra que, sujeitos à camisa de forças do Cristinanismo, nos tornamos pessoas chatas e aborrecidas, sem nada de interesssanta para trazer a este mundo. Esta suspeita continua dentro de nós e com ela traz o medo e a dúvida. Não nos podemos furtar a ela só com as nossas forças (por isso a chamamos de original). Mas continuar a dizer Deus, mostrá-Lo com as nossas palavras e gestos, ser Sua imagem na terra como aprendemos de Jesus pode apagar a suspeita. No Amor, a suspeita não tem lugar. No Amor não há espaço para mais nada.