Dia 31
No último dia do mês, agradeço a Nossa Senhora por me ter dado a oportunidade de dizer sim a este caminho... que só por existir já me ensinou a crescer na Fé, no Silêncio e na Amizade
um caminho que se faz e que se partilha buscando a pureza do que é essencial
No último dia do mês, agradeço a Nossa Senhora por me ter dado a oportunidade de dizer sim a este caminho... que só por existir já me ensinou a crescer na Fé, no Silêncio e na Amizade
Ao dizer um sim a uma coisa, estamos sempre a dizer um não a outra.
Com 16 anos, sem perceber bem o que Lhe estava a ser pedido, Maria respondeu "Sim. Faça-se em Mim segundo a Sua vontade". Entregou-Se, confiou sem questionar...
Procuro acreditar na vida e em toda a sua simplicidade como Maria acreditou... Neste mês, em que Ela está presente de uma forma muito forte, rezo para que este nosso caminho não se perca
"Amor é egoísmo", disseram-me... explicaram-me que "quem ama (ou diz que ama) preocupa-se com o outro, quer que o outro seja feliz, mas porque é isso que o faz feliz. É bom saber que quem nós gostamos está contente, está feliz... é bom... porque se não fosse bom nós não amaríamos. Quem ama está a pensar, talvez inconscientemente, no seu próprio bem estar. Entregamo-nos porque o outro vai ficar feliz, e nós felizes por isso"...
Depois de uma visita inesperada (a Imagem peregrina da Senhora de Fátima que percorreu em procissão a Via della Conciliazione para acabar no altar da confissão de S. Pedro), voltam os dias de afazeres não sempre estimulantes, mas para os quais encontro/dou sempre um sentido.
O privilégio de si próprio é um dos mais complicados males do mundo, talvez porque não nos apercebemos do seu alcance. Quando me ponho em primeiro lugar, o outro já não é igual a mim, mas é adversário ou concorrente. A paz não pode nascer de relações minadas pela posse ou pela superioridade. Dar o primeiro lugar ao outro é ser mais humano, é ser construtor de paz.
Há quem conceba a liberdade como qualquer coisa de mais ou menos estático. Isto é, é podermos estar sossegadinhos sem ninguém nos incomodar (ou nos impôr pesos ou regras, além do direito e do senso comum) a fazer ou a decidir para o futuro só o que nos apetece.
Aproximar e unir o que está separado. Ser este instrumento que junta e reconcilia o que tantas circunstâncias separam. Podemos ser pontes neste mundo, podemos contribuir para que haja mais paz à nossa volta. E uma ponte compromete-se com as duas margens, sem pertencer a nenhuma delas. Acho que é isso ser instrumento de paz.
Precisamos de renovar as nossas palavras. Quando te perguntarem se correu bem o teu dia, antes de começares a enumerar as coisas que fizeste alegrando-te com os sucessos ou lamentando-te dos fracassos e desilusões, pensa: Saio diferente deste dia?
Pode estar tanto sol como ontem, podemos ver as mesmas pessoas, podemos fazer a mesma rotina... mas nenhum dia se repete. Cada vez que acordamos temos uma nova oportunidade para nos conhecermos melhor e nos darmos mais aos outros...
Não podemos avançar se não crescermos na objectividade com nós mesmos. É importante saber identificar (dar nomes!) ao que sentimos e fazemos, aceitar com firmeza o que escolhemos, olhar com serenidade para aquilo que gostávamos que fosse diferente.
Quando a vida de alguém nos desinstala e nos incomoda, dificilmente questionamos o porquê do nosso desconforto. Somos muito melhores a analisar, julgar e (tantas vezes) condenar o outro porque é diferente de nós, porque sai fora do que está estabelecido. A arte do discernimento, associada à humildade, permite-nos descobrir o que nunca imaginámos na relação com os outros. Acima de tudo, permite-nos ser diferentes dos fariseus e os publicanos que analisaram, julgaram e condenaram Jesus, sem nunca se perguntarem: E se Ele é mesmo o Filho de Deus?
O silêncio pode ser eloquente e dizer bem mais do que tantas palavras desnecessárias.