Querer
Queria mesmo poder vir aqui mais vezes e com mais tempo.
um caminho que se faz e que se partilha buscando a pureza do que é essencial
No Domingo passado, uma viúva deixou tudo o que possuia numa caixa de esmolas. Mais do que o acto - eloquente para demonstrar que quem dá em simplicidade, dá-se no mesmo gesto - impressionou-me ver Jesus a servir-se de um exemplo tão humano para falar daquilo que era a sua vida e missão. A fé não pode ser um conjunto de leis e conceitos que nos permitem uma relação com o mundo e com os outros. Acreditar, deve ser esta capacidade de mostrar - na pequenez do gesto mais banal do quotidiano - a quem pertence o nosso coração.
Há 7 anos, o meu pai deixou-nos, depois de um ano de lutas e muitos sofrimentos. Na altura, um amigo disse-me o que só hoje sinto em completo: "agora, com a origem da tua vida já no céu, mais lhe pertences".
Mais do que nunca, antes de qualquer discurso sobre Deus, precisamos de resgatar o humano da escravidão do quotidiano. O coração preparado para O acolher è o que reconhece a profunda necessidade de uma palavra perene, que liberte os horizontes de futuro que já ninguém sabe possuir.
Experimentar é viajar para fora daquilo que somos e voltar enriquecidos e novos por aquilo que tocamos e vivemos. A pessoa experiente, è aquela que se deixa tornar um pouco daquilo que encontrou. E quem experimenta a gratuidade do Amor verdadeiro, sabe que não pode ser outra coisa.
Um convite é sempre único e especial. Para além do que tem de bom, ser convidado, honra-nos e distingue-nos pelo que diz de nós. Quando somos convidados - mesmo quando esse convite não parece tão fascinante - deixa-nos a responsabilidade de o reconhecer em gratidão, no louvor que esse representa. Cada convite recorda a nossa dignidade e responder-lhe, em qualidade, é fazer-se digno do que esse nos chama.
A propósito de Sadam Hussein, voltamos ao que já dissémos. Que justiça pode haver (e o que pretenderemos com ela), quando condenamos o mal com o mal, uma atrocidade com outra igual ? O mundo cria ciclos infinitos de morte e nós deixamo-nos levar...
Ser humilde é aceitar a luta interna entre a esaltação do amor-próprio e o medo da eterna pequenez e indigência. É conseguir olhar-se inteiro e na verdade de si, reconhecer o único que sacia e realiza. O humilde não se esalta, mas confia. E na confiança é esaltado, dizia Jesus.
Não há descanso, cura ou tratamento que permita recuperar uma vida da tristeza e da desilusão, se falta a graça de um encontro gratuito e certo.