domingo, janeiro 29, 2006

Palavras de mais-além

Nos dias mais exigentes, recordo com frequência o momento em que os amigos mais próximos de Jesus hesitaram. O seu discurso tinha sido duro e estranho. Comer o corpo e beber o seu sangue? Perguntavam-se eles... Não é sempre fácil aceitar (perceber) a vida nos seus desafios diários. Às vezes, alguns acontecimentos parecem mesmo deitar tudo a perder. Mas as palavras de Pedro continuam a valer, de maneira ainda mais especial nesses momentos. A quem iremos? só Tu...

sábado, janeiro 28, 2006

Partida (outra)

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Amizade

É estranho pensar no significado que esta palavra vai tendo na nossa vida à medida que vamos crescendo.
Lembro-me de ser uns anitos mais nova e achar que ter amigos, muitos amigos era o ideal... a quantidade preenchia-me e acho que, quando somos crianças, é mesmo importante Ter muitos amigos.
Hoje parece-me que abandonei este pensamento de infância e sinto que o que me completa realmente é Sentir que tenho Amigos.Amigo: presença, caminho, oração, tempo, dedicação, compreensão, "sermão", verdade, ... crescimento.
É engraçado pensar que Jesus nos dá tudo isto... quer quando somos pequenos ou "grandes" Ele vai estando em nós de forma a corresponder à nossa maturidade e vai-nos ajudando a perceber o que é essencial. Em pequenina rezava por ser mais amiga daquele ou daquela... e sei que Jesus me ouvia; hoje rezo por este nosso caminho e não tenho dúvidas de que, Lá no Céu, me ouvem!

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Palavras dos amigos

O mais importante, mesmo quando não se diz, sabe-se sempre, costumava dizer-me um amigo, tentando salvar as minhas falhas ou esquecimentos injustificáveis. Vem bem a propósito dos próximos dias desta história simples que serão de mais pausas e de mais silêncios... O mais importante sabe-se sempre e, nesta casa, o mais importante é o caminho que fazemos e a certeza de que alguém o faz connosco, mesmo quando não se diz...

domingo, janeiro 22, 2006

Manhã

Hoje vai ser um dia de muitas coisas. Bem cedo ouvi: farei de vós pescadores de homens. Pensei que precisamos mesmo de quem nos pesque do nosso eu, de quem nos livre das prisões em que andamos metidos e que não nos permitem escolher, em liberdade, o que é melhor para nós. Pensei que é um bom pensamento para um dia de tantas coisas.

sábado, janeiro 21, 2006

Também

As palavras sobre o tempo levaram-me ao episódio de Jesus com Marta.
Marta andava inquieta e preocupada quando uma só coisa era necessária e hoje parece que todas essas palavras me assentavam na perfeição. Sei bem que há coisas bem mais importantes que o estudo. Mas hoje precisava mesmo que alguém me lembrasse o que é escolher a melhor parte. E é mais uma vez, Maria que o diz de modo admirável, com o exemplo da sua vida. Obrigado.

Tempo

Andamos muitos dias a andar de um lado para o outro sem nos darmos conta do tempo que passa... e que pouco valor lhe damos!
O Tempo é mesmo importante e valioso.
Ele deixa-nos fazer dele o que quisermos e isso, por vezes, faz-nos banaliza-lo. Ele não nos faz armadilhas... é simples... sabemos que podemos contar com ele. Parece que tentamos enchê-lo e não aproveitá-lo; parece que, hoje, temos de andar mais rápido que o Tempo.

Mas... é bom parar, não só quando já acabámos tudo o que tinhamos para fazer, mas, principalmente quando ainda estamos a meio da "agenda". É bom parar para valorizarmos e darmos sentido à nossa Vida que não pára.
Parar... darmos um tempo a nós mesmos para respirar fundo e reparar em pequenas coisas como "estar um dia de sol". Parar... para ouvir com atenção o Silêncio. Parar para nos encontarmos e nos encontarmos com o Céu...

quinta-feira, janeiro 19, 2006

O teu jardim

Imagino, muitas vezes, o teu jardim. Vou lá - quando não estás - e adivinho os sítios onde te sentas, as flores que te acolhem, a estrela que escolhes para te acompanhar nos teus momentos de paragem e silêncio. E ao fundo, pequena e simples, lá está a tua casinha. A casa que é só mistério, a casa que és tu.

Mais que sabedoria

Amigos, que nos fazem sonhar com aquilo que é absolutamente e essencialmente quotidiano.

Perguntas sobre o Amor #2

Poderemos amar alguma coisa que não conhecemos e que nos vem apresentada como um compromisso que não nos fascina e não nos anima? Poderemos aderir a alguma coisa que hoje, aos olhos do mundo, aparece como limitadora da nossa realização humana e da nossa felicidade plena?

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Recordações

Example
Ainda a propósito da desilusão de ontem, recordei a obra memorável de Lawrence Kasdan - The Grand Canyon - que tendo mesma inspiração, vai muito mais longe. A rever (ou a ver)

Pouco

Example
Foi-me bem recomendado (e muitas vezes) . Vi o trailer. O estilo parecia bom, o tema cada vez mais essencial, as histórias bem conseguidas e a ideia de as interligar, não sendo original, parecia de grande efeito. Mas o resultado é pobre, às vezes risível e desanimador. O estilo perde-se, o tema cansa, as histórias são demasiado previsíveis e a sua interligação monotonamente forçada. Se a ideia era abrir-nos os olhos para dois dos mais sérios problemas de hoje: O medo e a impotência de controlar os seus efeitos, a verdade é que ficamos na mesma.

terça-feira, janeiro 17, 2006

Perguntas sobre o Amor #1

Quando exigiram que Jesus se indignasse com os seus discípulos porque estavam a comer espigas num dia proibido pela lei judaica, Jesus confundiu-os. Ao perguntar-lhes pelo sentido do Sábado, estava-lhes a perguntar sobre o seu tipo de amor. Se a fé não acompanha a religião, então as leis e os preceitos vêm antes e pesam mais do que o Amor.
Não é uma coisa só do nosso tempo, como vemos.
Continuamos a precisar de quem nos leve pelo sentido exactamente inverso.

domingo, janeiro 15, 2006

Silêncios

Sabe bem o silêncio, mesmo quando ele é a ausência do que precisamos sempre de ouvir.

Dias como hoje

dive for dreams
or a slogan may topple you
(trees are their roots
and wind is wind)

trust your heart
if the seas catch fire
(and live by love
though the stars walk backward)

honour the past
but welcome the future
(and dance your death
away at this wedding)

never mind a world
with its villains or heroes
(for god likes girls
and tomorrow and the earth)

[e.e. cummings, ninety-five poems]

sábado, janeiro 14, 2006

Os doentes

Example
Hoje, a Igreja propõe-nos que escutemos a chamada de Mateus.
É a vocação mais invulgar, a mais veloz resposta que Jesus receberá em toda a sua vida publica. Caravaggio percebeu-o como ninguém. Sustemos a respiração quando ouvimos:Vem!
E ele foi.

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Um encontro

A casa estava cheia e não havia espaço para mais ninguém. Mas estes homens sabiam que este seu amigo precisava de entrar. Foram buscar uma escada e umas cordas, subiram ao telhado, fizeram um buraco. Com as cordas baixaram-no lentamente até que tocou no chão. Era paralítico, o outro toque que recebeu fê-lo sair da casa pelo próprio pé e perante a aclamação da multidão.
Amigos que nos levem onde temos de ser levados, um encontro pessoal com o Amor que cura e salva, eis o que pode mudar uma vida, eis o que é digno de ser proclamado ao mundo.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Oração da manhã

Example
Trabalhou-se o repouso toda a noite,
Para que, depois, de dia,
estando-lhe a vir a luz de muito longe,
a da manhã se lhe acrescente em vinha
que se enxerte ou se pode,
ao ritmo de uma paz que se ilumina.
Ou para que o centeio se lhe doure
com a tez do trabalho e da vindima
que vem de Deus. E para Deus nos volve
quando repouso já nos pede o dia.

poeta desconhecido

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Sentir para dar

Como em tantas outras vezes, hoje, os discípulos encontram Jesus sózinho, no cimo da montanha a rezar. Não será só porque o dia foi cheio e o seguinte se avizinha igual. Não será só porque noite é boa conselheira. Quando se dá a vida, estar com quem se ama é o desejo mais profundo que se acalenta e a única exigência que se sente no coração. E Jesus, não fez outra coisa nos evangelhos. Sentindo a profundidade do Amor que nos è oferecido, também nós perceberemos a qualidade do amor que nos é pedido.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Dos simples

Depois das festas, o quotidiano - que nos habituamos a chamar de tempo comum. E podemos vivê-lo com a indiferença com que hoje se encara tudo o que é rotina, ou com a alegria de quem vê nele uma oportunidade para os gestos mais importantes da vida. Ao jeito dos simples, que no amor que emprestam às coisas pequenas e simples do dia-a-dia descobrem toda a sua felicidade, podemos também nós fazer destes dias qualquer coisa de único.

Dizer Deus

Example
"Nós devemos pronunciar a palavra Deus, devemos ensinar aos nossos filhos e aos nossos semelhantes, a benção que está neste nome, conscientes que cada vez que a pronunciamos também nos traímos" Sequeri

A propósito do pecado original, li este texto que me trouxe algumas luzes e que nos deixa alguns desafios. A traição de que fala o autor é uma boa traição. É uma verdadeira necessidade para os nossos dias. Ao dizermos Deus, ao pronunciarmos este nome conscientes do que ele significa verdadeiramente, estamos a negar a a contrariar a suspeita que está dentro de nós desde o princípio dos tempos. A suspeita que atrás do rosto bom e misericordioso de Deus, se esconde outro de severidade e prepotência. A suspeita que o mesmo Deus que nos dispensa favores e concede graças, nos manda também o mais variado tipo de desgraças. Mais do que isso, a suspeita sobre a nossa vida, que insinua que Deus limita a nossa plena realização humana, que, aceitando as correias da fé, nos fechamos à nossa felicidade plena. Em última instância, a suspeita sobre nós próprios, que nos mostra que, sujeitos à camisa de forças do Cristinanismo, nos tornamos pessoas chatas e aborrecidas, sem nada de interesssanta para trazer a este mundo. Esta suspeita continua dentro de nós e com ela traz o medo e a dúvida. Não nos podemos furtar a ela só com as nossas forças (por isso a chamamos de original). Mas continuar a dizer Deus, mostrá-Lo com as nossas palavras e gestos, ser Sua imagem na terra como aprendemos de Jesus pode apagar a suspeita. No Amor, a suspeita não tem lugar. No Amor não há espaço para mais nada.

domingo, janeiro 08, 2006

Meu Filho

Xto
Hoje, enquanto vemos com desconcerto Jesus que se junta na fila dos pecadores para serem baptizados por João, ouvimos o Pai que manifesta o segredo e a riqueza da nova Aliança. Este é o meu Filho muito amado, e n'Ele todos nós somos filhos, amados desde sempre, para sempre. A manifestação do Amor do Pai (que agora nos faz suas testemunhas vivas) só será eficaz - e verdadeira - se amarmos com o mesmo Amor com que nos sentimos amados, se conseguirmos nos nossos gestos limitados e humanos, revelar indelevelmete a origem e o fim da nossa vida: O rosto do Pai, o Amor.

sábado, janeiro 07, 2006

Acordares

Acordo. O Sábado é de sol e a manhã está fria. Há uma luz especial, a dos dias de sol no inverno, dizem. É impossível não acordar bem disposto. Hoje o dia vai ser o que eu fizer dele. É sempre assim, eu sei, mas esta manhã lembra-mo em claridade limpída e certa.

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Por assim viver

Perco-me no que não me pertence, no que os outros transportam para dentro de mim, perco-me no que o futuro me quer roubar, perco-me nas mil e uma formas com que me tento desenhar, na loucura que me parece não ser minha, no grito eufórico com que rasgo os dias, perco-me na imensidão do nada , esse mesmo nada que me desespera e que me leva a fugir para o meu cais de saudade

É bom ler os amigos.
Cais de saudade

O Rei

É muito pouco dizer que hoje é o dia de Reis. Os reis estavam lá, é certo, mas o centro nunca deixou de ser o pequeno Menino que nasceu. Desde esse dia, todo o mundo e todas as coisas são Sua manifestação. Não perder os olhos do essencial. Epifania.

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Quando o passado nos acorda

magnolia
Recordo sempre a máxima do desconcertante Magnolia (e que Aimee Mann musicou sublimemente em wise up), que temos de aceitar radicalmente o nosso passado, para poder olhar com esperança e verdade o nosso futuro. E nunca é tarde para nos deixarmos confrontar com ele, nunca é tarde para viver com mais coerência a nossa vida. Um dia Jesus, respondendo à interrogação impertinente de Filipe: "de Nazaré pode vir algo de bom?", lembrou-lhe o episódio debaixo da figueira. Não sabemos o que fez Filipe debaixo da Figueira, sabemos que não mais deixou Jesus.

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Curar

Só o tempo consegue curar algumas das feridas mais difíceis que a dureza da vida e do amor nos trazem. O tempo traz dias mais claros, o tempo traz também um olhar mais simples. A luz desses momentos novos trará também quem te saiba ver toda, quem te acolha como tesouro, quem te mereça quando é amado tanto.

Escola da vida

Example
Muitas pessoas não percebem como pode Deus pode dar a liberdade e, ao mesmo tempo, ajudar quem a Ele recorre nos passos concretos da sua vida. E seria uma contradição, não fosse o Amor a essência de Deus. O Amor liberta, mas acompanha. O Amor não impõe, mas está presente. O Amor não obriga, mas deixa laços. Deus está connosco e se nos dispusermos a ouvi-Lo, Ele fala-nos, se nos dispusermos a segui-Lo, Ele muda-nos.

terça-feira, janeiro 03, 2006

Ano, novo

Começar, estamos sempre a começar...
Temos um ano novo pela frente, mas começar de novo não é começar outra vez, não é repetir alguma coisa, é começar de outro modo, com novidade. E o primeiro gesto devia ser o de agradecer esta imensa oportunidade. Este ano será aquilo que fizermos dele: se cultivarmos uma atitude de egoísmo e individualismo, será assim; mas se nos comprometermos com a construção da paz e da justiça no mundo, então teremos um Bom Ano novo. Não nos esqueçamos, ao longo do ano que começa, que há uma imensa sabedoria em viver cada dia como se fosse o primeiro e há uma imensa felicidade em viver cada dia como se fosse o último. As duas coisas são possíveis aos mesmo tempo.

Vasco Pinto Magalhães

Voltar a Casa

Hoje ainda é dia de chegada. E quando se regressa, precisa-se de tempo para voltar a sentir familiar o que, por instantes, deixámos como que abandonado.

Bom Ano

Começa um novo ano... apesar de pouco ligar à passagem de um ano para outro, a verdade é que é inevitável pensarmos no nosso passado, ano que passou, e no futuro, ano que agora começa.
Sentimos uma necessidade de fazer uma avaliação, vermos os pontos fortes, fracos, o que correu melhor ou não... É engraçado: durante um ano fazemos tantas e tantas coisas, e quando o ano acaba e fazemos este balanço muito é deixado de lado. Não sei bem se as coisas que levamos para esta "avaliação" são as mais importantes ou as mais recentes.
De qualquer maneira é sempre bom queremos melhorar e continuarmos a caminhar...

Neste ano que começa, agradeço este caminho e esta história não por ser recente mas exactamente por já se fazer contar há alguns anos e se mostrar (cada vez mais) sólida...

Bom Ano